Um marco: Parque em Nova York recebe nome de Marsha P. Johnson

Atualizado: 1 de Set de 2020

Homenageadas em Parque e Monumento, Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera finalmente começam a ter o devido reconhecimento que merecem.


No dia 24/08 Marsha completaria 75 anos de vida e, em sua homenagem, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, anunciou a renomeação do East River State Park, no Brooklyn, para Marsha P. Johnson Park, tornando-se o primeiro parque dos Estados Unidos a levar o nome de uma pessoa LGBTQ+.


Em comunicado, Cuomo falou que “Muitas vezes, vozes marginalizadas que impulsionaram o progresso em Nova York e em todo o país passam despercebidas, constituindo apenas uma fração de nossos memoriais e monumentos públicos”, e seguiu admitindo que só agora Marsha está recebendo o reconhecimento que merece, tendo sido uma das líderes do movimento LGBTQ, ‘’Dedicar este parque estadual para ela e exibir arte pública contando sua história garantirá que sua memória e seu trabalho de luta pela igualdade vivam”.


Em junho do ano passado, aniversário de 50 anos da Revolta de Stonewall, o prefeito de Nova York Bill de Blasio declarou que Marsha e Sylvia Rivera serão imortalizadas em um monumento que ficará na Praça Ruth Wittenberg, bairro de Greenwich Village, muito próximo ao Stonewall Inn, bar gay que foi palco das primeiras rebeliões em resposta a repressão policial em NY. A previsão é de que o monumento seja inaugurado até 2021.


“O movimento LGBTQ foi retratado em grande parte como um movimento masculino gay branco”, disse Chirlane McCray, a primeira-dama de Nova York. E completou: “Este monumento vai contra essa tendência de encobrir a verdadeira história.”



Iniciativas como essas são de extrema importância no processo de resgatar a história, memória e contribuições de figuras que dedicaram suas vidas a transformar as estruturas das quais eram submetidas, afetando positivamente a sociedade através da luta pela igualdade.


No Brasil, onde se reproduz hábitos coloniais e enaltece personagens que ajudaram a impor uma engrenagem escravocrata arraigada até os dias de hoje, o movimento ainda é o de impedir homenagens a figuras que, além de ferir a constituição dos direitos humanos, reforçam a perpetuação de narrativas opressoras no imaginário popular brasileiro, inclusive constantemente endossadas pelo atual governo.

A iniciativa vem sendo liderada pela Mandata Quilombo, da deputada estadual (PSOL SP) Erica Malunguinho, que protocolou o Projeto de Lei nº 404/2020, onde visa proibir, em todo o estado de São Paulo, homenagens a escravocratas e a eventos históricos ligados ao exercício da prática escravista no Brasil.


Imaginemos: e se, nos espaços públicos brasileiros, tivéssemos monumentos de João W. Nery, Marielle Franco, Xica Manicongo, Fernanda Benvenutty e tantas outras ativistas que, de fato, tiveram uma trajetória de benfeitorias e proposições efetivas? Todas essas pessoas e ativistas visavam afetações sociais rumo a um país mais justo. Esse é o Brasil que queremos!


Assista abaixo a talk de abertura do Festival MARSHA Entra Na Sala com as deputadas Erica Malunguinho e Erika Hilton.



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